Rev. Hernandes Dias Lopes e o Bolsa Família: Contentamento Não é Conformismo na Vida Cristã.


   Nos últimos dias, uma fala do pastor Hernandes Dias Lopes em um podcast repercutiu amplamente e acabou sendo mal interpretada por alguns, inclusive por cristãos. O tema abordado foi prosperidade à luz de 1 Timóteo 6:6: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento.” A partir desse texto, o pastor explicou que contentamento não é sinônimo de conformismo e foi exatamente nesse ponto que surgiram distorções.

Ao usar como exemplo o programa Bolsa Família, o pastor não afirmou que o benefício é uma maldição, nem que as pessoas que o recebem são malditas. O que ele disse foi que qualquer auxílio pode se tornar prejudicial quando gera acomodação, dependência permanente e abandono da responsabilidade de crescer, estudar e trabalhar. Sua crítica não foi aos necessitados, mas ao conformismo.

Piedade com contentamento: a verdadeira prosperidade.

O texto bíblico citado pelo pastor nos ensina que a verdadeira prosperidade começa na piedade — isto é, numa vida de intimidade com Deus, numa fé que não depende das circunstâncias. O contentamento significa estar satisfeito em Deus, seja na abundância, seja na escassez. O apóstolo Paulo declara em Filipenses 4:12-13: “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou instruído... Posso todas as coisas naquele que me fortalece.”

Isso não é passividade, mas maturidade espiritual. O cristão não fundamenta sua alegria nas posses, mas no Senhor. Foi essa a experiência de Jó, que declarou: “O Senhor deu, o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21).

Em sua fala, o pastor fez uma distinção muito clara: estar contente não significa cruzar os braços. A Bíblia jamais defendeu a ociosidade. Pelo contrário, ela exalta o trabalho e a diligência.

Desde a criação, o trabalho faz parte do propósito divino. Em Gênesis 3:19 está escrito: No suor do teu rosto comerás o teu pão.” O trabalho dignifica o homem. Não é consequência do pecado, mas parte da responsabilidade humana diante de Deus. O pecado trouxe dificuldade ao trabalho, mas não eliminou sua dignidade. O apóstolo Paulo é ainda mais direto em 2 Tessalonicenses 3:10: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma.”

O texto não fala de quem não pode trabalhar, mas de quem não quer. Há uma diferença enorme entre necessidade e negligência.

Quando a ajuda se torna dependência

  Programas sociais existem para socorrer quem está em vulnerabilidade. Eles podem ser instrumentos de misericórdia e justiça social. Porém, quando deixam de ser um meio temporário e se tornam um fim permanente, podem gerar estagnação.

A Bíblia adverte sobre os perigos da preguiça. Provérbios 6:9-11 alerta que a pobreza vem como ladrão sobre o preguiçoso. Mas Provérbios 13:4 declara que “a alma do diligente se farta”.

O ensino bíblico é claro: devemos trabalhar, estudar, crescer, buscar qualificação, melhorar as condições de nossa família. O cristão deve orar por portas abertas, mas também deve caminhar quando Deus abre essas portas.

O problema não está no auxílio recebido, mas na mentalidade que transforma provisão temporária em estilo de vida permanente.

Prosperidade bíblica é crescimento responsável.

O pastor enfatizou algo profundamente bíblico: o cristão deve buscar crescimento. Não para idolatrar o dinheiro, mas para viver com dignidade, prover sua casa e glorificar a Deus. 1 Timóteo 5:8 diz: “Se alguém não tem cuidado dos seus, e especialmente dos da sua própria casa, negou a fé".

Buscar melhor educação para os filhos, melhorar a renda, sair de ambientes de risco, oferecer segurança à família — tudo isso é responsabilidade cristã.

Portanto, a fala do pastor não foi uma condenação aqueles que recebem o auxílio, mas um alerta contra o espírito de acomodação. Contentamento é confiar em Deus hoje. Conformismo é desistir de crescer amanhã.

A prosperidade bíblica não é medida apenas por bens materiais, mas por uma vida de piedade com contentamento. Porém, essa mesma Bíblia nos ensina a rejeitar a ociosidade, a abraçar o trabalho e a buscar crescimento.

Um auxílio governamental pode ser bênção quando usado como ponte para recomeçar e e promover o bem-estar da família. Mas pode se tornar prejudicial quando vira justificativa para não estudar, não trabalhar e não crescer financeiramente. 

Que possamos compreender corretamente o ensino bíblico e também a fala do pastor Hernandes Dias Lopes: estar contente é confiar em Deus em qualquer circunstância; não se conformar é continuar caminhando, crescendo e trabalhando para a glória d’Ele. Essa é a verdadeira prosperidade cristã.

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