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Rev. Hernandes Dias Lopes e o Bolsa Família: Contentamento Não é Conformismo na Vida Cristã.

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    N os últimos dias, uma fala do pastor Hernandes Dias Lopes em um podcast repercutiu amplamente e acabou sendo mal interpretada por alguns, inclusive por cristãos. O tema abordado foi prosperidade à luz de 1 Timóteo 6:6: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento.” A partir desse texto, o pastor explicou que contentamento não é sinônimo de conformismo e foi exatamente nesse ponto que surgiram distorções. Ao usar como exemplo o programa Bolsa Família, o pastor não afirmou que o benefício é uma maldição, nem que as pessoas que o recebem são malditas. O que ele disse foi que qualquer auxílio pode se tornar prejudicial quando gera acomodação, dependência permanente e abandono da responsabilidade de crescer, estudar e trabalhar. Sua crítica não foi aos necessitados, mas ao conformismo. Piedade com contentamento: a verdadeira prosperidade. O texto bíblico citado pelo pastor nos ensina que a verdadeira prosperidade começa na piedade — isto é, numa vida de intimi...

Entre a Emoção e a Palavra: Onde Está Firmada a Sua Fé?

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    A emoção é um traço marcante da experiência humana. Deus nos criou com sentimentos, afetos, lágrimas e sorrisos. No entanto, quando a emoção não é guiada pela Palavra, ela pode se tornar um perigo para a nossa caminhada cristã. A fé não pode ser construída apenas sobre aquilo que sentimos, mas sobre aquilo que Deus revelou. Vivemos dias em que muitos desejam “sentir” Deus mais do que conhecê-Lo nas Escrituras. Confundem intensidade emocional com maturidade espiritual. Porém, a emoção, quando não está submissa à verdade, pode nos conduzir a decisões precipitadas e consequências dolorosas. A Bíblia nos oferece exemplos claros disso. Moisés, homem manso e escolhido por Deus, recebeu uma ordem específica: falar à rocha, e dela sairia água para o povo. Contudo, dominado pela indignação e pelo desgaste emocional diante da rebeldia de Israel, ele feriu a rocha. O resultado foi sério: embora tenha visto a terra prometida de longe, não pôde entrar nela (Nm 20). Um momento de desco...

Abandonando os pesos para viver a plenitude da fé

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  N a Epístola aos Hebreus 12:1 somos exortados a deixar todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia  e a correr com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para Jesus, o autor e consumador da nossa fé. A figura é clara: a vida cristã é uma corrida. E ninguém corre bem carregando fardos desnecessários. Com o passar do tempo, vamos acumulando pesos. Alguns são pecados não confessados. Outros são embaraços silenciosos: ressentimentos guardados, palavras mal resolvidas, traumas ignorados, pendências familiares nunca tratadas. Pequenas cargas que, somadas, tornam-se um fardo excessivamente prejudicial à nossa jornada cristã. Muitos se perguntam por que, mesmo orando, congregando e ouvindo a Palavra, continuam vivendo conflitos emocionais, psicológicos e até físicos. Nem sempre a resposta está em uma suposta falta de fé, mas no acúmulo de questões não resolvidas. Feridas do passado, problemas com o pai ou com a mãe, mágoas antigas, culpas es...

Por que Jesus prometeu enviar outro Consolador?

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      Q uando Jesus anunciou aos discípulos que partiria, o coração deles se encheu de inquietação. Aquele que os chamou, ensinou, corrigiu e amou estava dizendo que iria embora. Contudo, no mesmo discurso registrado no Evangelho de João, Ele fez uma promessa que transformaria a tristeza em esperança: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14:16). A expressão “outro Consolador” é profundamente significativa. No texto original, a palavra usada indica “outro da mesma natureza”. Jesus não estava prometendo alguém diferente em essência, mas alguém da mesma natureza divina, que continuaria Sua obra. Se Cristo foi o Deus conosco, o Espírito Santo seria o Deus em nós. A promessa estava ligada à Sua partida. Em João 16:7, Jesus afirma que era necessário que Ele fosse, para que o Consolador viesse. Durante Seu ministério terreno, Jesus estava limitado à condição humana: Ele caminhava pelas estradas da Galileia, ensinava nas si...

Quem é o Espírito Santo na Trindade?

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        D as três Pessoas da Santíssima Trindade, a mais enigmática é o Espírito Santo. Ele não se revela em forma visível como o Filho, que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14), nem é contemplado em majestade como o Pai eterno, a quem as Escrituras descrevem assentado no trono (Is 6; Ap 4). Sua presença é mistério que se insinua de forma discreta nas Escrituras, mas cuja atuação é profunda e decisiva na história da redenção.  Desde as primeiras páginas da Bíblia, Ele já está presente. Em Gênesis 1.2, lemos que o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Não aparece como figura central da narrativa, mas está ali — sustentando, organizando, preparando o cenário da criação. Ele não busca protagonismo, mas cumpre missão. Nos Evangelhos, quando o Filho é batizado no Jordão, o Espírito desce como pomba (Mt 3.16). Não vem para chamar atenção para si, mas para autenticar o Filho. Sua obra sempre aponta para Cristo. Como o próprio Jesus declarou em J...

Cuidado com o que você posta nas redes sociais: Um Chamado à Prudência Cristã

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    V ivemos dias em que a exposição se tornou algo comum. As redes sociais transformaram momentos íntimos em conteúdo público, e aquilo que antes era reservado ao lar, hoje é facilmente compartilhado com milhares de pessoas. Contudo, como cristãos, precisamos lembrar que nem tudo o que pode ser postado convém que seja postado. Recentemente, uma cantora do meio pentecostal publicou um vídeo na piscina ao lado do esposo, em trajes íntimos. O conteúdo rapidamente gerou repercussão negativa, dividiu opiniões e abriu espaço para debates e justificativas públicas. Infelizmente, situações como essa têm se tornado frequentes. Primeiro se publica, depois se explica. Primeiro se expõe, depois se defende. Mas será que esse é o caminho mais prudente para quem carrega o nome de Cristo? A Palavra de Deus nos ensina que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm” (1 Coríntios 6:12). O cristão não vive apenas pelo que é permitido, mas pelo que edifica, pelo que glorifica...

Jesus fundou a Igreja Apostólica Romana? Uma análise bíblica e histórica

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    Q uando perguntamos se Jesus Cristo fundou a Igreja Apostólica Romana, precisamos antes voltar às páginas do Novo Testamento e observar como a Igreja nasceu, como se expandiu e como se organizou ao longo da história. Somente assim poderemos separar o que é relato bíblico do que é desenvolvimento histórico posterior. A Igreja de Cristo teve sua origem em Jerusalém. Após a ressurreição e ascensão do Senhor, foi no dia de Pentecostes que o Espírito Santo foi derramado, conforme registrado em Atos dos Apóstolos capítulo 2. Ali nasce a comunidade cristã: apóstolos, discípulos e milhares de convertidos perseverando na doutrina apostólica, na comunhão, no partir do pão e nas orações. Essa Igreja não tinha o nome de “romana”. Era simplesmente chamada de “igreja”, a assembleia dos chamados por Deus. Nos primeiros anos, os seguidores de Jesus também receberam outros títulos. Em Atos 24.5, foram chamados de “seita dos nazarenos”. Em Atos 9.2, o movimento cristão é identificado como “...