O arrebatamento já aconteceu para os que morreram em Cristo?


   Ao longo da história da igreja, especialmente em contextos de ensino mais simples, alguns pregadores afirmaram que o arrebatamento já teria ocorrido para aqueles que morreram em Cristo. Segundo essa compreensão, a morte do crente seria, de certa forma, equivalente ao arrebatamento individual. Embora essa ideia seja frequentemente apresentada com boa intenção pastoral, ela não encontra respaldo no ensino claro das Escrituras quando analisada à luz da escatologia bíblica.

É fundamental distinguir dois conceitos que muitas vezes são confundidos: o estado intermediário do crente após a morte e o arrebatamento da igreja. A Bíblia ensina que aqueles que morrem no Senhor estão, de fato, na presença de Deus. O apóstolo Paulo declara que estar “ausente do corpo” é estar “presente com o Senhor” (2 Co 5:8), e afirma ainda que partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor (Fl 1:23). No entanto, essa condição gloriosa da alma não deve ser confundida com o arrebatamento, que envolve a ressurreição e glorificação do corpo.

O arrebatamento é apresentado no Novo Testamento como um evento futuro, coletivo e escatológico, e não como uma experiência individual no momento da morte. Paulo aborda esse tema de maneira clara em 1 Tessalonicenses 4:16-17, ao afirmar que o próprio Senhor descerá do céu, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e, em seguida, os crentes vivos serão arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor nos ares. O texto evidencia que a ressurreição dos que dormiram em Cristo antecede o arrebatamento e que ambos os grupos participarão do mesmo acontecimento glorioso.

Portanto, não é biblicamente correto afirmar que os que morreram em Cristo já foram arrebatados. A morte não equivale ao arrebatamento, pois este está diretamente ligado à vinda de Cristo, e não à partida individual do crente. Os santos que dormiram no Senhor aguardam a ressurreição do corpo, que ocorrerá no tempo determinado por Deus. A afirmação de que eles “virão com Cristo” (1 Ts 4:14) não indica que já estejam glorificados, mas que seus espíritos, atualmente na presença do Senhor, serão reunidos aos seus corpos ressuscitados e transformados.

Essa esperança é reafirmada de maneira ainda mais detalhada em 1 Coríntios 15. O apóstolo Paulo ensina que nem todos dormirão, mas todos serão transformados, e que essa transformação ocorrerá “num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta” (1 Co 15:51-52). Aqui, Paulo inclui tanto os mortos quanto os vivos na mesma promessa de glorificação, mostrando que a vitória final sobre a morte se manifestará plenamente na ressurreição corporal.

À luz desse ensino, o arrebatamento deve ser compreendido como um evento glorioso no qual Cristo virá nas nuvens, os mortos em Cristo ressuscitarão em corpos incorruptíveis e os crentes vivos serão transformados, recebendo igualmente um corpo glorificado. Reduzir o arrebatamento a uma experiência individual pós-morte não apenas distorce o ensino bíblico, mas também enfraquece a esperança futura da igreja.

A expectativa bíblica não é a de um arrebatamento já ocorrido, mas a da bendita esperança descrita em Tito 2:13: a manifestação gloriosa de Jesus Cristo. Esse entendimento correto fortalece a fé, alimenta a esperança cristã e nos chama a uma vida de vigilância, santidade e preparação espiritual, enquanto aguardamos o cumprimento final das promessas de Deus.


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