A graça de Deus tem poder para curar, restaurar e libertar, mas quando resistimos ao perdão, muitas vezes estamos, ainda que inconscientemente, fechando o coração para essa obra. Não perdoar não significa que a ofensa foi grande demais; muitas vezes significa que a nossa dor ainda não foi entregue totalmente ao Senhor. É como se disséssemos: “Aqui, Deus, o Senhor pode tocar; mas nesta parte, eu prefiro continuar segurando”. E aquilo que seguramos, acaba nos ferindo diariamente.
Por isso, liberar perdão não tem a ver com minimizar o erro do outro, nem com esquecer o que aconteceu, e muito menos com absolver injustiças. O perdão tem a ver com quem nós somos diante de Deus. Ele revela nossa disposição em confiar mais na justiça divina do que nos nossos próprios sentimentos, e nossa decisão de viver como pessoas que foram alcançadas, saradas e transformadas pela graça.
Quando perdoamos, reconhecemos que também fomos perdoados. Admitimos que dependemos da misericórdia de Deus tanto quanto aquele que nos feriu. O perdão nos coloca em um lugar de humildade, onde o coração deixa de ser governado pela dor e passa a ser moldado pelo amor. É nesse processo que somos curados, não porque o outro mudou, mas porque nós permitimos que Deus nos mudasse.
Perdoar é, portanto, um ato profundamente espiritual. É escolher viver com o coração livre, sensível à voz de Deus e alinhado com o caráter de Cristo. Quem perdoa não é fraco; é alguém que decidiu não permitir que a ferida defina sua identidade, mas que a graça de Deus tenha a última palavra.
“Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.” (Cl 3:13)
