Entre a Emoção e a Palavra: Onde Está Firmada a Sua Fé?


   A emoção é um traço marcante da experiência humana. Deus nos criou com sentimentos, afetos, lágrimas e sorrisos. No entanto, quando a emoção não é guiada pela Palavra, ela pode se tornar um perigo para a nossa caminhada cristã. A fé não pode ser construída apenas sobre aquilo que sentimos, mas sobre aquilo que Deus revelou.

Vivemos dias em que muitos desejam “sentir” Deus mais do que conhecê-Lo nas Escrituras. Confundem intensidade emocional com maturidade espiritual. Porém, a emoção, quando não está submissa à verdade, pode nos conduzir a decisões precipitadas e consequências dolorosas.

A Bíblia nos oferece exemplos claros disso.

Moisés, homem manso e escolhido por Deus, recebeu uma ordem específica: falar à rocha, e dela sairia água para o povo. Contudo, dominado pela indignação e pelo desgaste emocional diante da rebeldia de Israel, ele feriu a rocha. O resultado foi sério: embora tenha visto a terra prometida de longe, não pôde entrar nela (Nm 20). Um momento de descontrole emocional marcou sua trajetória.

Jefté também é um exemplo marcante. Movido pela intensidade da guerra e pela ansiedade da vitória, fez um voto precipitado: prometeu oferecer ao Senhor a primeira coisa que saísse de sua casa ao retornar da batalha. Sua própria filha foi ao seu encontro (Jz 11). Ainda que o texto bíblico indique que o sacrifício dela não foi literal como o de um animal, mas uma consagração que a levou a permanecer virgem, o fato é que um voto impensado trouxe dor e consequências irreversíveis. A emoção falou mais alto que a prudência.

O próprio Senhor Jesus advertiu sobre a fé superficial na parábola do semeador. Ele ensinou que a semente que cai em solo rochoso germina rapidamente, mas não cria raízes profundas. Quando vem o calor das dificuldades, ela seca (Mt 13). A emoção pode até fazer a semente brotar com entusiasmo, mas não é capaz de sustentar a fé nos dias de prova.

Raízes profundas não são formadas por euforia, mas por convicção. Elas nascem da comunhão constante com Cristo e da submissão à Palavra de Deus. Jesus também contou a parábola do homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha (Mt 7). Quando vieram as chuvas e os ventos, a casa permaneceu firme. Já aquele que construiu sobre a areia — guiado talvez pela pressa, pela facilidade ou pelo impulso — viu sua casa cair.

Quando somos guiados pela emoção, nossa vida espiritual se torna frágil como uma construção sobre a areia. Falamos o que Deus não mandou falar. Fazemos o que Deus não mandou fazer. Tomamos decisões sem consultar o Senhor. Depois, colhemos frustrações e decepções.

Por isso, as Escrituras nos alertam: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração” (Pv 4:23). O coração é a sede das emoções, dos desejos e das inclinações. Se ele não estiver alinhado com a Palavra, pode nos enganar. O profeta Jeremias declarou: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas” (Jr 17:9).

Não se trata de anular as emoções, mas de submetê-las ao senhorio de Cristo. A emoção é boa quando está sob a direção da verdade. Ela se torna perigosa quando ocupa o lugar da Palavra.
A fé cristã madura não é aquela que apenas sente, mas aquela que permanece. Não é a que se empolga apenas nos cultos emocionantes, mas a que persevera no silêncio das provas. Não é a que reage por impulso, mas a que responde com sabedoria.

Que a Palavra de Deus fale mais alto que nossos sentimentos. Que nossas decisões sejam moldadas pela Escritura e não pelo momento. Que nossas raízes sejam profundas o suficiente para resistir ao sol das dificuldades. Porque emoção passa. Mas a Palavra do Senhor permanece para sempre.

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