A Responsabilidade Humana Diante da Queda


     O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, Adão (Rm 5:12). A partir desse ato de desobediência, toda a humanidade passou a herdar uma natureza corrompida, inclinada ao mal e afastada da santidade de Deus. Ainda assim, mesmo com essa natureza adâmica, o homem continua sendo responsável por suas próprias escolhas e atitudes. O livre-arbítrio humano foi afetado pelo pecado, mas não foi extinto.

Isso fica evidente quando Deus confronta Caim após perceber o ódio que crescia em seu coração. O Senhor lhe disse: “O pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (Gn 4:7). Com essas palavras, Deus revelou que, mesmo após a queda, ainda há no homem uma centelha de liberdade moral — a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Caim, porém, decidiu ceder ao pecado e colheu as consequências de seu ato, tornando-se responsável pela morte de seu próprio irmão.

O mesmo princípio é visto no Éden. A serpente enganou Eva, Eva cedeu à tentação e Adão, por sua vez, também pecou. No entanto, Deus chamou os três à responsabilidade: a serpente foi amaldiçoada, a mulher recebeu a sentença de dores e o homem passou a comer do suor do seu rosto. Cada um foi responsabilizado por sua escolha.

Da mesma forma, nós, herdeiros dessa natureza caída, não podemos usar o pecado original como desculpa para continuarmos pecando. Nossas decisões continuam sendo nossas, e seremos julgados por elas. A Palavra declara que “todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba o que tiver feito por meio do corpo, segundo o que praticou, o bem ou o mal” (2Co 5:10).

Contudo, em Cristo há redenção. Por meio de Sua obra na cruz, o Espírito Santo habita em nós e nos dá poder para resistir à velha natureza e viver em novidade de vida, para a glória de Deus. Assim, embora o pecado tenha entrado no mundo por um homem, também por um homem — Jesus Cristo — veio a graça que nos capacita a vencer o pecado e viver de modo justo diante do Senhor.


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