Recentemente assisti a um podcast em que um pastor afirmou que não oraria pelo atual presidente do Brasil. Ainda que de forma indireta, ficou evidente sua posição política e, a partir disso, a recusa em interceder. O problema não está em ter uma opinião — todos temos — mas em permitir que a preferência política fale mais alto do que o ensino claro das Escrituras. Quando isso acontece, deixamos de agir como ministros do Evangelho para agir como militantes ideológicos.
À luz da Bíblia, a oração nunca foi seletiva. Jesus foi absolutamente direto ao ensinar: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Note que Ele não disse “orem apenas por quem vocês aprovam”, nem “por quem governa bem”, mas pelos inimigos. Ou seja, se até quem nos persegue deve ser alvo da nossa oração, quanto mais as autoridades constituídas.
O apóstolo Paulo reforça esse princípio ao orientar a igreja: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Timóteo 2:1–2). Paulo escreveu isso em um contexto em que os governantes eram, em sua maioria, pagãos e até perseguidores dos cristãos. Ainda assim, a ordem não foi resistir em oração, mas interceder.
A Escritura também deixa claro que o propósito dessa intercessão não é apenas a estabilidade social, mas a salvação: “Isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:3–4). Aqui não há exceções. Não é “todos os homens, exceto os que pensam diferente”, mas todos.
A Bíblia nos ensina a orar pela nação, pelas autoridades, pelos governantes, independentemente de sua fé, ideologia ou postura moral. Oramos não porque concordamos, mas porque cremos que Deus é soberano e que Sua graça pode alcançar qualquer pessoa. O profeta Jeremias orientou o povo de Deus a orar até mesmo pela prosperidade da nação onde estavam exilados: “Orai ao Senhor por ela, porque na sua paz vós tereis paz” (Jeremias 29:7).
O cristão ora pelo irmão em Cristo, mas também ora pelo ateu, pelo idólatra, pelo adepto de qualquer religião, porque a oração não valida crenças — ela invoca a graça. Orar por alguém não é endossar seus erros, é reconhecer que todos carecem da misericórdia de Deus (Romanos 3:23). Negar oração a quem discorda de nós não é zelo doutrinário; é desobediência espiritual.
Podemos — e muitas vezes devemos — discordar das atitudes de autoridades do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Podemos criticar, avaliar e até denunciar injustiças. Mas jamais podemos omitir a intercessão. Quando a igreja deixa de orar por causa de ideologia, ela perde sua autoridade espiritual e troca o altar pelo palanque.
A Bíblia é clara: somos chamados a orar. Orar pelos inimigos. Orar pelas autoridades. Orar pelas nações. Orar por todos. Porque a oração não é um instrumento político, é um mandamento divino.

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