Santidade Também se Vive nas Redes: Um Chamado à Prudência Cristã

 


  Vivemos dias em que a exposição se tornou algo comum. As redes sociais transformaram momentos íntimos em conteúdo público, e aquilo que antes era reservado ao lar, hoje é facilmente compartilhado com milhares de pessoas. Contudo, como cristãos, precisamos lembrar que nem tudo o que pode ser postado convém que seja postado.

Recentemente, uma cantora do meio pentecostal publicou um vídeo na piscina ao lado do esposo, em trajes íntimos. O conteúdo rapidamente gerou repercussão negativa, dividiu opiniões e abriu espaço para debates e justificativas públicas. Infelizmente, situações como essa têm se tornado frequentes. Primeiro se publica, depois se explica. Primeiro se expõe, depois se defende. Mas será que esse é o caminho mais prudente para quem carrega o nome de Cristo?

A Palavra de Deus nos ensina que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm” (1 Coríntios 6:12). O cristão não vive apenas pelo que é permitido, mas pelo que edifica, pelo que glorifica a Deus e pelo que preserva seu testemunho. O casamento é uma bênção divina, mas sua intimidade é um tesouro que deve ser protegido, não exibido. A família é um altar, não um palco.

Precisamos compreender que a internet não esquece. Uma postagem impensada pode comprometer anos de ministério, influenciar negativamente jovens e abrir brechas para escândalos desnecessários. A liberdade cristã não é licença para a imprudência. Somos chamados à santidade também no ambiente digital.

Além disso, quando líderes ou figuras públicas do meio cristão se expõem de maneira questionável, isso gera confusão no Corpo de Cristo. Muitos irmãos mais novos na fé podem se perguntar: “Se eles fazem, por que eu não posso fazer também?” O apóstolo Paulo nos adverte que devemos evitar ser pedra de tropeço para os mais fracos na fé (Romanos 14). Nosso testemunho não pertence apenas a nós; ele impacta toda a comunidade.

Outro ponto importante é a necessidade de maturidade emocional. Quando alguém publica algo controverso e, diante das críticas, passa a se justificar ou a discutir publicamente, a situação tende a se agravar. Em muitos casos, o silêncio prudente teria sido mais sábio do que a exposição inicial ou a réplica impulsiva.

Como pastores, líderes, ministros ou simplesmente como cristãos comprometidos, precisamos resgatar o valor da discrição. Nem toda felicidade precisa ser exibida. Nem todo momento precisa ser registrado. Nem toda intimidade deve ser compartilhada. Há bênçãos que crescem no silêncio e relacionamentos que se fortalecem na reserva.

A Bíblia nos orienta a sermos “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida” (Fp 2:15). Em tempos de autopromoção, o cristão é chamado à moderação. Em tempos de exibicionismo, somos chamados à sobriedade. Em tempos de aplausos virtuais, somos chamados à aprovação de Deus.

Que possamos refletir antes de postar. Que o Espírito Santo nos dê discernimento para separar o público do privado. E que nossas redes sociais sejam extensões do nosso testemunho, não vitrines da nossa intimidade.

Santidade não é apenas o que fazemos no templo, mas também o que escolhemos compartilhar fora dele. Que nossa vida — online e offline — glorifique ao Senhor.

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