Nos últimos tempos, algumas correntes têm defendido a ideia de que não deve existir pastor na igreja, afirmando que “pastor só há um, que é Jesus Cristo”. Esse pensamento, embora pareça espiritual à primeira vista, não se sustenta quando confrontado com o ensino completo das Escrituras.
É verdade que Jesus é apresentado como o Supremo Pastor. Em João 10:11, Ele declara: “Eu sou o bom Pastor”. E ainda, em 1 Pedro 5:4, Ele é chamado de “o Sumo Pastor”. Não há dúvida de que Cristo é o cabeça da Igreja e o Pastor por excelência. No entanto, reconhecer isso não anula o fato de que o próprio Deus estabeleceu líderes humanos para cuidar do Seu rebanho na Terra.
A Bíblia mostra claramente que Deus levanta homens com a responsabilidade de pastorear a igreja. Em Efésios 4:11, está escrito que o próprio Cristo concedeu dons à igreja, incluindo “pastores e mestres”. Isso revela que o ministério pastoral não é uma invenção humana, mas um dom dado pelo próprio Senhor para edificação do corpo de Cristo.
Além disso, em Atos 20:28, o apóstolo Paulo exorta os líderes da igreja de Éfeso dizendo: “Olhai por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus”. Aqui vemos claramente que homens foram constituídos pelo Espírito Santo com a função de pastorear — ou seja, exercer o cuidado espiritual sobre a igreja.
O apóstolo Pedro também reforça esse entendimento em 1 Pedro 5:2-3, quando orienta os presbíteros: “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós”. A palavra “apascentar” é a mesma ideia de pastorear. Ou seja, existem sim homens chamados para exercer essa função, não como substitutos de Cristo, mas como cooperadores sob Sua autoridade.
Negar o ministério pastoral é, na prática, ignorar a forma como Deus organizou a Sua Igreja. O fato de Jesus ser o Pastor Supremo não exclui a existência de pastores terrenos — pelo contrário, confirma que eles atuam debaixo da liderança dEle.
É semelhante a dizer que, porque Deus é nosso Mestre, não precisamos de mestres humanos — o que contraria textos como Tiago 3:1. Ou afirmar que, porque Deus é Rei, não existem autoridades estabelecidas — o que também vai contra o ensino bíblico.
Portanto, o ensino de que “não há pastores na igreja porque Jesus é o único Pastor” não encontra base sólida nas Escrituras. A Bíblia apresenta um equilíbrio: Cristo é o Pastor supremo, eterno e perfeito, enquanto homens são chamados, capacitados e enviados para cuidar do rebanho aqui na Terra.
A igreja que rejeita aquilo que Deus estabeleceu corre o risco de enfraquecer sua própria estrutura espiritual. Por outro lado, quando entendemos o modelo bíblico, reconhecemos que o verdadeiro pastor não substitui Cristo — ele aponta para Cristo, serve a Cristo e conduz o povo a Cristo.
No fim, a questão não é substituir o Pastor celestial, mas obedecer ao modelo que Ele mesmo deixou para Sua Igreja.
