Algumas pessoas sustentam que é inadequado chamar Jesus de "bom" com base na conversa com o jovem rico. Essa leitura, porém, parte de uma conclusão apressada: ela isola um diálogo específico e ignora o testemunho mais amplo das Escrituras sobre a natureza e a obra de Cristo.
O episódio é registrado em Marcos 10:17-18:
"E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se diante dele, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus."
À primeira vista, alguns entendem que Jesus estava negando Sua própria bondade ou divindade. No entanto, uma leitura atenta mostra que esse não era o objetivo de Suas palavras.
Jesus frequentemente fazia perguntas para levar as pessoas a refletirem. Ao perguntar: "Por que me chamas bom?", Ele estava examinando a compreensão daquele jovem. Será que ele reconhecia Jesus apenas como um mestre respeitado ou como o Filho de Deus?
Na tradição judaica, a bondade absoluta pertencia somente a Deus. Assim, Jesus conduz o jovem a uma conclusão lógica: se somente Deus é absolutamente bom, e se Ele é verdadeiramente bom, então quem é Jesus?
Além disso, durante todo o Seu ministério terreno, Jesus nunca procurou promover Sua própria glória de forma independente. Sua missão era glorificar o Pai. Ele declarou:
"Se eu glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai..." (Jo 8:54)
Também afirmou:
"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma... porque não procuro a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou." (Jo 5:30)
Isso não significa que Jesus fosse inferior ao Pai ou menos divino. Pelo contrário, revela Sua perfeita obediência e humildade ao assumir a natureza humana. Como escreve Paulo:
"Que, sendo em forma de Deus... esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo..." (Fp 2:6-8).
Mesmo vivendo em perfeita submissão ao Pai, Jesus nunca deixou de ser Deus. As Escrituras afirmam que nEle não havia pecado (Hb 4:15), que não cometeu pecado (1 Pe 2:22) e que Ele próprio declarou:
"Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas." (Jo 10:11)
Observe que o mesmo Jesus que perguntou ao jovem: "Por que me chamas bom?" também afirmou ser o Bom Pastor. Não há contradição. Em um caso, Ele desafia um homem a refletir sobre Sua verdadeira identidade; no outro, revela claramente quem Ele é.
Portanto, chamar Jesus de bom não apenas é correto, mas profundamente bíblico. O que Jesus rejeitou não foi o título de "bom", e sim um reconhecimento superficial, sem compreensão de Sua verdadeira identidade. Sua pergunta continua desafiando cada pessoa: Você reconhece Jesus apenas como um bom mestre ou como o Filho de Deus, digno de toda honra, glória e adoração?
A resposta da fé é clara: Jesus é bom porque Ele é Deus encarnado, perfeitamente santo, justo e cheio de amor.
