O relato do Gênesis nos transporta ao início da criação, quando Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, tornando-o alma vivente (Gn 2:7). O Criador então plantou um jardim no Éden, lugar de perfeição, beleza e harmonia, onde o homem viveria em comunhão direta com Deus e teria à disposição toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento (Gn 2:8–9).
No meio do jardim estavam duas árvores especiais: a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O texto bíblico mostra que ambas estavam lado a lado, no centro do Éden, porém Deus deu uma ordem clara a Adão:
“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16–17)
Notem que o texto bíblico não registra nenhuma instrução específica sobre a árvore da vida— apenas menciona sua presença no meio do jardim (Gn 2:9) e, mais tarde, em Gênesis 3:22, quando Deus impede o homem de comer dela após o pecado. Isso nos convida a uma profunda reflexão: será que Adão compreendia plenamente o significado da Árvore da Vida? Teria ele se alimentado de seus frutos? Ou, talvez, evitava essa árvore por estar localizada no centro do jardim, próxima àquela da qual Deus havia expressamente ordenado que não comesse?
Analisando os textos bíblicos de Genesis, encontramos duas passagens que nos fazem acreditar que Adão, não comia do fruto da Árvore da vida. Por exemplo: Em Gênesis 3:2–3, Eva menciona que o casal podia comer de todas as árvores, “menos da que está no meio do jardim”, o que indica que tanto a árvore do conhecimento quanto a árvore da vida estavam naquela região central — possivelmente próximas — e por isso poderiam ter sido evitadas por precaução. Além do mais, a forma como Eva responde à serpente indica que o casal, ainda que tivesse liberdade para comer de todas as árvores, parecia evitar tanto a árvore do conhecimento quanto a árvore da vida.
Outro texto bíblico que deixa bastante evidente que o homem ainda não havia comido do fruto da Árvore da vida é Gênesis 3:22 quando, após o pecado, Deus diz:
“Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; e agora, para que não estenda a sua mão, e tome também da Árvore da Vida, e coma, e viva eternamente...” (Gn 3:22)
A expressão “e agora” indica que até aquele momento o homem não havia comido desse fruto. Por isso, Deus age imediatamente, colocando querubins e uma espada flamejante para guardar o caminho que levava à Árvore da Vida (Gn 3:24).
Caso tivesse comido da Árvore da Vida após o pecado, teria vivido eternamente em um estado de corrupção, sem possibilidade de redenção — como os anjos caídos, que conheceram o mal e não possuem plano de salvação.
Assim, podemos compreender que a proibição divina teve um propósito misericordioso: impedir que o homem vivesse eternamente em pecado. O acesso à Árvore da Vida foi então vedado até que o plano de redenção fosse revelado em Cristo, e é justamente no livro do Apocalipse que essa árvore volta a aparecer — não mais no jardim terreno, mas no Paraíso de Deus:
“Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da Árvore da Vida, que está no paraíso de Deus” (Ap 2:7).
Aquilo que foi negado no Éden por causa do pecado será concedido novamente àqueles que vencerem pelo sangue do Cordeiro. O acesso à vida eterna será restaurado não mais pelo mérito humano, mas pela graça divina em Cristo Jesus.
Podemos concluir que no Éden, Adão não comia da Árvore da Vida, e Deus impediu que o homem a tocasse após a queda para que não vivesse eternamente em pecado.
Mas em Cristo, o novo e perfeito Adão, o caminho da vida foi reaberto — e todos os que Nele creem terão direito de comer novamente do fruto da Árvore da Vida no paraíso celestial.

Comentários
Postar um comentário