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O batismo nas águas ainda é para os nossos dias?

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      N os últimos tempos, alguns ensinos têm circulado afirmando que o batismo nas águas não é mais válido para os cristãos de hoje, sob o argumento de que ele teria sido apenas um rito destinado àqueles que nasceram antes da cruz e estavam debaixo da Lei de Moisés. Segundo essa linha de pensamento, os que nasceram após a cruz já nasceriam sem pecado, reconciliados e justificados, tornando o batismo nas águas um “ritual judaico” desnecessário e até ofensivo ao sacrifício de Cristo. No entanto, quando esse ensino é analisado à luz de toda a Escritura, percebe-se que ele não se sustenta biblicamente e nasce de graves erros de interpretação. Primeiramente, é essencial afirmar que a Bíblia não ensina que alguém nasce sem pecado por ter nascido cronologicamente depois da cruz. A obra da cruz é suficiente, perfeita e eterna, mas sua eficácia é aplicada mediante a fé, não automaticamente pelo simples fato de nascer em uma determinada época da história. Paulo é claro ao dizer qu...

A “Seita” dos Desigrejados: Um Prenúncio dos Últimos Dias?

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      O fenômeno dos chamados “desigrejados” tem se tornado cada vez mais visível no cenário evangélico brasileiro. Trata-se de pessoas que afirmam manter sua fé em Cristo, mas rejeitam qualquer vínculo com igrejas locais, estruturas denominacionais ou liderança pastoral formal. Embora o termo “seita” seja frequentemente utilizado de maneira retórica e provocativa, a questão que se impõe ao estudioso sério das Escrituras não é meramente semântica, mas eclesiológica e teológica: pode haver cristianismo bíblico desconectado da igreja visível? Para responder adequadamente, é necessário compreender o contexto histórico e sociológico do fenômeno. O crescimento expressivo do evangelicalismo no Brasil nas últimas décadas foi acompanhado por escândalos financeiros, abusos espirituais, mercantilização da fé e instrumentalização política de púlpitos. A frustração com lideranças autoritárias e práticas distorcidas produziu um ambiente de desencanto. A ampliação do acesso à informaç...

Espiritualidade Sem Igreja? O Perigo da Apostasia Disfarçada de “Nova Revelação”

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      V ivemos um tempo em que cresce o número de pessoas que afirmam crerem em Deus e em Jesus, mas rejeitam qualquer vínculo com a igreja histórica, com a tradição cristã e, muitas vezes, com partes significativas das Escrituras. São frequentemente chamados de “desigrejados”, embora muitos prefiram dizer apenas que seguem “Jesus sem religião”. À primeira vista, o discurso soa piedoso: “a igreja é espiritual”, “Deus não habita em templos”, “não precisamos de instituição para cultuar”. Contudo, por trás dessa linguagem espiritualizada, frequentemente se esconde uma ruptura profunda com fundamentos bíblicos e históricos da fé cristã. A Fragmentação da Autoridade Bíblica. O que se observa em muitos desses ambientes digitais é uma espécie de “salada teológica”: cada indivíduo se torna intérprete absoluto, selecionando quais livros aceita, quais textos considera válidos e quais descarta. Forma-se um cristianismo personalizado, onde a autoridade final deixa de ser a Escritura ...

A importância de entender a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo

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      C ompreender a distinção entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo é essencial para uma fé cristã saudável, bíblica e coerente. A Escritura Sagrada revela que Deus é um só em essência, mas se manifesta eternamente em três Pessoas distintas, que coexistem em perfeita unidade e harmonia. Ignorar essa distinção compromete não apenas a doutrina da Trindade, mas também a compreensão da identidade de Deus, da obra da salvação e do relacionamento do crente com o Criador (Dt 6:4; Mt 28:19). Desde o início da revelação bíblica, Deus se apresenta como único, soberano e eterno, porém progressivamente se dá a conhecer de maneira relacional. O Pai é revelado como a fonte de todas as coisas, aquele que planeja e governa a história da redenção. O Filho é revelado como o Verbo eterno que estava com Deus e era Deus, por meio de quem todas as coisas foram criadas e que, no tempo determinado, se fez carne para a salvação da humanidade. O Espírito Santo é apresentado como aquele que proc...

ORAR É UM MANDAMENTO, NÃO UMA OPÇÃO POLÍTICA

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      R ecentemente assisti a um podcast em que um pastor afirmou que não oraria pelo atual presidente do Brasil. Ainda que de forma indireta, ficou evidente sua posição política e, a partir disso, a recusa em interceder. O problema não está em ter uma opinião — todos temos — mas em permitir que a preferência política fale mais alto do que o ensino claro das Escrituras. Quando isso acontece, deixamos de agir como ministros do Evangelho para agir como militantes ideológicos. À luz da Bíblia, a oração nunca foi seletiva. Jesus foi absolutamente direto ao ensinar: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5:44). Note que Ele não disse “orem apenas por quem vocês aprovam”, nem “por quem governa bem”, mas pelos inimigos. Ou seja, se até quem nos persegue deve ser alvo da nossa oração, quanto mais as autoridades constituídas. O apóstolo Paulo reforça esse princípio ao orientar a igreja: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ...

A Preexistência de Jesus nos Evangelhos: Uma Verdade Presente em Todos Eles

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      O  Apóstolo João, sem dúvidas é o evangelista que mais profundamente ressalta a doutrina da pré-existência de Cristo. Já em seu prólogo (Jo 1:1), ele apresenta de forma direta e majestosa a realidade eterna do Verbo, destacando que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Nenhum outro evangelista expõe com tanta clareza e densidade teológica a eternidade e divindade de Cristo, estabelecendo desde o início que sua missão terrena está enraizada em sua existência eterna junto ao Pai.  No entanto, limitar a preexistência de Cristo apenas ao Evangelho de João é um equívoco. Uma leitura atenta dos demais evangelhos revela que essa verdade já estava presente, ainda que expressa de maneira mais implícita e narrativa. Em Mateus, por exemplo, a preexistência de Jesus é revelada no anúncio do anjo a José. Ao declarar que o menino que nasceria seria chamado Filho de Deus e Emanuel — Deus conosco (Mt 1:20–23), o texto aponta para uma i...

Malaquias 3: A Integridade do Texto Bíblico.

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      A afirmação de que os versículos finais de Malaquias (3:19–24 no Tanakh) teriam sido removidos da Bíblia cristã, tornando-a adulterada ou incompleta, não encontra qualquer fundamento sério nos estudos textuais, históricos ou bíblicos. Tal alegação nasce, em grande parte, do desconhecimento acerca da formação do texto bíblico e das diferentes tradições de divisão de capítulos e versículos ao longo da história. Os manuscritos hebraicos originais do Antigo Testamento não possuíam divisão em capítulos ou versículos. Essas divisões foram introduzidas séculos depois como um recurso editorial para facilitar a leitura, o ensino e a referência dos textos sagrados. No caso específico do livro de Malaquias, a tradição judaica — preservada no Tanakh — apresenta o livro com apenas três capítulos, sendo que o capítulo 3 se estende até o versículo 24. Já a tradição cristã, adotada a partir da Idade Média, optou por dividir os seis últimos versículos do capítulo 3 hebraico em um n...